domingo, 15 de abril de 2007

O Torneio Paralelo de 1986


O texto a seguir, foi publicado originalmente no www.agoraesportes.com.br. Essa ideía, tínhamos desde 2001, quando fizemos um site tributo ao Galo: www.trezegalo.hpg.com.br . Agora, para nossa felicidade, finalmente esta idéia está crescendo.

O POLÊMICO TORNEIO PARALELO DE 1986

Autor: Adriano de Figueiredo

Nos anos 80, o futebol brasileiro era bem diferente da atualidade. Nossos craques demoravam mais a abandonar o futebol brasileiro e a então Copa Brasil, como era chamado nosso campeonato nacional, era disputado por times de toda a nação, onde os times tinham verdadeiras seleções. Por exemplo, como não lembrar do Flamengo de Zico, do Vasco de Roberto Dinamite, do Corinthians de Sócrates ou do São Paulo de Careca.

Naquela época, sem a força da mídia esportiva contemporânea, esses grandes craques desfilavam anônimos pelo Brasil, jogando contra o Fast do Amazonas, o Confiança de Sergipe, Sobradinho de Brasília e com outras equipes ainda menos votadas. Nesse período, para se ter acesso à elite do futebol brasileiro, bastava ou ser campeão estadual, ou para ser mais específico, um convite da Confederação Brasileira de Futebol, ressaltando uma frase famosa naqueles tempos: “Aonde a Arena vai mal, um clube no Nacional”, em alusão ao partido do governo militar.

Desse modo, o campeonato brasileiro era uma “bagunça festiva”, chegando a ser disputada certa feita, por mais de 90 clubes.

Para acomodar tantas equipes, foi necessário à criação de alguns torneios que serviriam de divisão de acesso. As chamadas “Taça de Ouro”, “Taça de Prata” e tudo o que fosse metal, serviria como acomodação para praticamente todas as equipes brasileiras.

A Taça de Ouro era o chamado Campeonato Brasileiro propriamente dito, enquanto a Taça de Prata seria uma espécie de segunda divisão, só que ao contrário do que ocorre hoje, o clube campeão desse torneio, disputaria no mesmo ano, a divisão de elite.

Quando foi criado o “Clube dos 13” em 1987, uma nova ordem em nosso futebol foi estabelecida. Para a posteridade, os campeões da Taça de Ouro, seriam os campeões brasileiros, os da Taça de Prata, o da segunda divisão e assim por diante.

Finalmente chegamos ao alvo de nosso texto. Em 1986, um ano antes do Clube dos 13, a Taça de Ouro seria chamada de Copa Brasil. A Taça de Prata por sua vez, de Torneio Paralelo.

A exemplo do que ocorreu nos anos anteriores, esse torneio serviria de acesso para a segunda fase do Nacional. Com o Treze de Paraíba e mais 35 participantes, foram realizados os seguintes jogos:

Grupo E

Participantes

América FC (Natal-RN)
Ferroviário AC (Fortaleza-CE)
Guarany SC (Sobral-CE)
Maranhão AC (São Luís-MA)
Moto Clube (São Luís-MA)
Atlético Rio Negro C (Manaus-AM)
River AC (Teresina-PI)
Sport Club Belém (PA)
Treze FC (Campina Grande-PB)

Rodada 1

River 2-2 Guarany
Rio Negro 1-1 América-RN
Moto Clube 1-0 Sport Belém
Treze 1-0 Ferroviário

Rodada 2

Sport Belém 0-0 Maranhão
Treze 1-0 Guarany
Moto Clube 1-0 América-RN
River 1-1 Ferroviário

Rodada 3

América-RN 0-0 Treze
Rio Negro 0-0 River
Maranhão 2-3 Moto Clube
Guarany 0-0 Ferroviário

Rodada 4

Sport Belém 1-2 Treze
River 1-2 Moto Clube
Ferroviário 2-3 Maranhão
Guarany 1-0 Rio Negro

Rodada 5

Moto Clube 0-1 Rio Negro
América-RN 1-0 Sport Belém
Treze 2-0 River
Guarany 2-1 Maranhão

Rodada 6

Maranhão 2-0 River
Ferroviário 0-0 América-RN
Sport Belém 1-0 Guarany
Rio Negro 0-0 Treze

Rodada 7

Maranhão 0-0 Rio Negro
América-RN 3-0 Guarany
Ferroviário 3-1 Sport Belém
Treze 2-0 Moto Clube

Rodada 8

River 0-4 América-RN
Rio Negro 2-0 Sport Belém
Maranhão 1-0 Treze
Moto Clube 1-1 Ferroviário

Rodada 9

América-RN 0-1 Maranhão
Sport Belém 2-2 River
Guarany 3-1 Moto Clube
Ferroviário 0-1 Rio Negro

CAMPEÃO DO GRUPO: TREZE

Grupo F

Participantes

Americano FC (Campos-RJ)
AE Catuense (Catu-BA)
Central SC (Caruaru-PE)
AD Confiança (Aracaju-SE)
Clube de Regatas Brasil (Maceió-AL)
A Desportiva FVRD (Cariacica-ES)
Fluminense FC (Feira de Santana-BA)
Goytacaz FC (Campos-RJ)
Taguatinga EC (Brasília-DF)

Rodada 1

CRB 2-1 Taguatinga
Central 2-1 Desportiva
Goytacaz 0-1 Americano
Catuense 0-0 Fluminense-BA

Rodada 2

Goytacaz 1-2 Desportiva
Americano 3-0 Confiança
Catuense 4-3 Taguatinga
CRB 2-0 Fluminense-BA

Rodada 3

Desportiva 0-0 Catuense
Central 2-0 CRB
Confiança 2-1 Goytacaz
Taguatinga 3-0 Fluminense-BA

Rodada 4

CRB 1-2 Goytacaz
Americano 0-1 Catuense
Fluminense-BA 1-0 Confiança
Taguatinga 2-1 Central

Rodada 5

Desportiva 1-2 Americano
Catuense 0-0 CRB
Taguatinga 3-1 Confiança
Goytacaz 1-0 Central

Rodada 6

Confiança 0-0 CRB
Fluminense-BA 1-1 Desportiva
Americano 1-0 Taguatinga
Central 1-0 Catuense

Rodada 7

Desportiva 1-0 Taguatinga
Fluminense-BA 2-2 Americano
Catuense 2-3 Goytacaz
Confiança 0-1 Central

Rodada 8

CRB 1-0 Desportiva
Central 2-0 Americano
Confiança 2-2 Catuense
Goytacaz 2-1 Fluminense

Rodada 9

Desportiva 3-0 Confiança
Americano 2-0 CRB
Taguatinga 2-2 Goytacaz
Fluminense-BA 2-2 Central

CAMPEÃO DO GRUPO: CENTRAL

Grupo G

Participantes

América FC (Belo Horizonte-MG)
Anápolis FC (GO)
AA Internacional (Limeira-SP)
Itumbiara EC (GO)
CA Juventus (São Paulo-SP)
Mixto EC (Cuiabá-MT)
EC Santo André (SP)
Uberlândia EC (MG)
Ubiratan EC (Dourados-MS)

Rodada 1

América-MG 2-2 Itumbiara
Internacional-SP 2-0 Uberlândia
Mixto 2-1 Anápolis
Santo André 1-1 Juventus

Rodada 2

Mixto 0-0 Uberlândia
América-MG 1-1 Juventus
Santo André 0-0 Itumbiara
Anápolis 2-0 Ubiratan

Rodada 3

Internacional-SP 3-1 Santo André
Ubiratan 4-2 Mixto
Uberlândia 0-1 América-MG
Juventus 0-0 Itumbiara

Rodada 4

Santo André 3-2 Mixto
Juventus 1-0 Internacional-SP
Anápolis 2-0 América-MG
Itumbiara 0-0 Ubiratan

Rodada 5

Mixto 0-Wo Internacional-SP
Uberlândia 1-1 Anápolis
América-MG 0-1 Santo André
Juventus 1-0 Ubiratan

Rodada 6

Internacional-SP 2-0 América-Mg
Itumbiara 1-0 Uberlândia
Anápolis 0-1 Juventus
Ubiratan 0-0 Santo André

Rodada 7

Uberlândia 0-0 Juventus
Itumbiara 1-1 Anápolis
América-MG 6-1 Mixto
Ubiratan 1-1 Internacional-SP

Rodada 8

Internacional-SP 4-0 Anápolis
Santo André 2-1 Uberlândia
Ubiratan 0-0 América-Mg
Mixto 2-2 Itumbiara

Rodada 9

Uberlândia - Ubiratan (NÃO HOUVE O JOGO)
Anápolis 1-0 Santo André
Juventus 3-0 Mixto
Itumbiara 0-2 Internacional-SP

CAMPEÃO DO GRUPO: INTERNACIONAL DE LIMEIRA

Grupo H

Participantes

Avaí FC (Florianópolis-SC)
GE Brasil (Pelotas-RS)
Cascavel EC (PR)
Criciúma EC (SC)
EC Juventude (Caxias do Sul-RS)
Londrina EC (PR)
CN Marcílio Dias (Itajaí-SC)
EC Novo Hamburgo (RS)
EC Pinheiros (Curitiba-PR)

Rodada 1

Criciúma 2-0 Novo Hamburgo
Brasil 0-0 Juventude
Londrina 2-0 Cascavel
Avaí 0-1 Marcílio Dias

Rodada 2

Brasil 1-2 Novo Hamburgo
Juventude 1-1 Pinheiros
Londrina 1-0 Marcílio Dias
Avaí 1-1 Cascavel

Rodada 3

Novo Hamburgo 1-1 Londrina
Criciúma 1-0 Avaí
Pinheiros 3-1 Brasil
Marcílio Dias 1-0 Cascavel

Rodada 4

Avaí 2-0 Brasil
Juventude 1-1 Londrina
Cascavel 1-1 Pinheiros
Marcílio Dias 1-1 Criciúma

Rodada 5

Novo Hamburgo 1-0 Juventude
Londrina 0-1 Avaí
Marcílio Dias 1-1 Pinheiros
Brasil 1-2 Criciúma

Rodada 6

Criciúma 3-1 Londrina
Cascavel 2-3 Novo Hamburgo
Juventude 2-0 Marcílio Dias
Pinheiros 1-0 Avaí

Rodada 7

Novo Hamburgo 0-2 Marcílio Dias
Cascavel 1-1 Juventude
Londrina 1-1 Brasil
Pinheiros 1-2 Criciúma

Rodada 8

Criciúma 1-0 Juventude
Brasil 3-1 Cascavel
Avaí 1-0 Novo Hamburgo
Pinheiros 1-2 Londrina

Rodada 9

Novo Hamburgo 1-2 Pinheiros
Juventude 2-0 Avaí
Marcílio Dias 2-1 Brasil
Cascavel 0-0 Criciúma

CAMPEÃO DO GRUPO: CRICIÚMA

Com esses resultados, as equipes do Treze, Criciúma, Internacional de Limeira e Central de Caruaru, foram alçadas ainda nesse ano, a divisão principal do futebol brasileiro, a exemplo do que ocorreu em 1983, quando o Juventus de São Paulo e o CSA de Alagoas, campeão e vice da segundona, foram disputar no mesmo ano, a primeira divisão. A diferença nesse fato, foi que esses dois últimos times, tiveram suas colocações como campeões e vice da 2ª divisão, homologadas pela CBF.

Em 1984, o Uberlândia, campeão da segunda divisão brasileira, também participou no mesmo ano de divisão de elite.

Então, finalmente vem a pergunta: Por que a CBF não reconheceu Treze, Criciúma, Internacional de Limeira e Central de Caruaru, os campeões brasileiros da segunda divisão de 1986? Não deveria esse fato ser tratado com a igualdade de 1983 e 1984? Na nossa humilde opinião, Rosilene Gomes, tão próxima ao presidente da CBF Ricardo Teixeira e o nosso governador, Cássio Cunha Lima, que se diz trezeano, bem poderiam entrar nessa parada, já que para o Palmeiras ser campeão mundial de 1951 (Copa Rio), José Serra, também político, entrou com sucesso nessa requisição do clube paulista. Falta só vontade, para ratificar o título mais importante de um clube paraibano e lembrem-se, o de maior torcida.

P.S.: Rosilene deveria também, ratificar os títulos paraibanos de 1975 (Botafogo e Treze ou Botafogo e Campinense, para acabar de vez com essa celeuma) e de 1985 (Botafogo e Treze).

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